Freud e o sexual na Infância

abril 5, 2015
  • Universidade de Brasília

    Teoria psicanalítica

    Teoria Psicanalítica I

    Carlos Alexandre Virtuoso Ferraris 

    Freud e o sexual na Infância

    A concepção sexual predominante e tida como “normal”, no final do século XIX, era a consumação do ato sexual a fins de reprodução e a impossibilidade da sexualidade nas crianças. A masturbação na criança, as perversões do adulto ou a mera busca do prazer, eram consideradas condutas anormais.

    Ao denominar a criança de “perverso polimorfo”, Freud não só propõe uma sexualidade ampliada, como provoca uma reação contrária exacerbada, devido a dificuldade dos adultos em aceitarem a sua sexualidade infantil.

    Freud inicia o estudo sobre sexualidade em 1893-1895, quando desenvolve a noção de trauma e seu conteúdo sexual, ou seja, o efeito traumático da sexualidade se

    relaciona à imaturidade da criança que é confrontada com a sexualidade adulta sem condições psíquicas de integrar o trauma em suas representações (impossibilidade da criança em significar a experiência sexual), e mais tarde vai postular uma sexualidade que por seu caráter “não domesticável”, representa uma ameaça ao social e ao indivíduo, que lida com ela de duas maneiras: ou simplesmente nega sua sexualidade ao manter a fantasia da “inocência infantil”, ou pela amnésia que incide sobre os primeiros anos de nossa infância.

    Em três sobre a teoria da sexualidade (1905), Freud introduz o conceito de pulsão como substituição à noção de instinto, que teria padrões fixados hereditariamente. Para ele a pulsão sexual não tem padrões fixos, seu objeto é variável e apesar de inicialmente, se apoiar na pulsão de autoconservação, ela se desvia desta ao propor um prazer a mais, não redutível à satisfação da necessidade.

    Laplanche (1998) demonstra como Freud organiza sua teoria sobre a sexualidade em três momentos:

    1° – (1905) Opõe a infância e a sexualidade infantil à sexualidade adulta tal como se desenvolve a partir da puberdade. A sexualidade infantil se caracteriza pela perversidade polimorfa da infância, pela ausência de objeto e pela não organização pulsional.

    2° – (1915) Freud acrescenta as organizações pré-genitais: anal e oral, para a criança e também para o adulto, observando como essas organizações caracterizam-se pela escolha de um objeto e por uma primazia de uma zona sexual, erógena, oral ou anal (conduto indica que a unificação genital só se opera na puberdade).

    3° – (1923) No texto “A organização genital infantil”, Freud vai aproximar ainda mais a sexualidade infantil da sexualidade adulta, mostrando que existe desde a infância um primado genital e que a sucessão das organizações oral e anal culmina num tipo de organização já muito próxima daquela do adulto.

    CONCLUSÃO

    Freud descreve o destino das características da vida sexual infantil, do autoerotismo à primazia dos órgãos genitais, ou seja, a subordinação das pulsões parciais à função da reprodução. O primeiro momento é marcado pelo predomínio das pulsões parciais e pelo pluralismo das correntes pulsionais, e um segundo momento marcado pela interrupção brusca da vida sexual, a partir dos cinco ou seis anos, que caracteriza o período de latência.

    Por intermédio das teorias sexuais infantis, Freud aponta para impossibilidade de se estabelecer uma progressão linear e desenvolvimentista da realidade psíquica dos indivíduos. Pelo contrario, aponta para as diferenças individuais, advogando uma visão mais estrutural e menos cronológica da vida sexual infantil, distinguindo radicalmente o conceito de “infantil” da infância.

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